domingo, 20 de dezembro de 2009

...stuzzicando la pazienza mia

Servire e non gradire,
aspettare e non venire,
stare a letto e non dormire,
aver cavallo che non vuol ire
e servitore che non vuole obbedire,
esser in prigione e non poter fuggire,
essere ammalato e non poter guarire,
smarrir la strada quando un vuol ire,
stare alla porta quando un non vuol aprire,
avere un amico che ti vuol tradire,
son dieci doglie da morire.


Ditado repetido exaustivamente por meu avô, orgulhoso do seu dialetto veneziano.


Bravissimo, Nonno!!!


Minha tradução não é das melhores, mas me arrisco:


Dedicar-se e não agradar,
esperar por quem não vem,
ficar na cama e não dormir,
ter um cavalo que não quer andar
e um servo que não quer obedecer,
estar na prisão e não poder fugir,
estar doente e não poder curar-se,
perder-se quando se quer partir,
estar à porta quando não querem abrir,
ter um amigo que te deseja trair,
são dez tarefas de morrer.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Take a deep breath. Now exhale slowly.


Antigamente, eu entrava em férias assim que me livrasse das provas e trabalhos finais, e se tivesse estudado o suficiente para não ficar "pendurada" em recuperação.

Hoje, com quase 50 alunos de Métodos Quantitativos de Pesquisa nas Ciências Sociais (Estatística, pra encurtar), dependo de eles não pegarem recuperação.

(riso histérico)

O novo sinal de trânsito de Porto Alegre


Leia-se: o novo indicador da falta de noção.

Em Porto Alegre, foi criado um sinal de trânsito que permite aos pedestres pararem os carros para atravessar nas faixas de segurança dos cruzamentos onde não há semáforo. Basta o pedestre estender a mão espalmada para fazer o motorista parar.

Antes que alguém queira me apedrejar, vou deixar muito claro que não sou contra o novo sinal de trânsito, muito menos contra os direitos dos pedestres.

Acontece que as pessoas - especialmente no que se refere aos seus DIREITOS - são totalmente sem-noção.

A criatura fica sabendo que tem um direito novo e já sai berrando por ele, sem sequer conhecê-lo, compreendê-lo e entender que direitos têm limitações.

Esse, de fazer pararem os carros com a mão, é um exemplo típico.

Quase ninguém se deu conta de que só vale para os cruzamentos em que há faixa de segurança e não há semáforo.

Canso de ver gente estendendo a mãozona quando o sinal acaba de mudar pro vermelho. E, indignadas por os carros não pararem, as criaturas ficam xingando, reclamando seus "direitos".

Num outro dia vi o auge da falta de noção relacionada ao fato: uma jovem mãe, no centro de Porto Alegre, empurrava as costas do filho de aparentes cinco anos, forçando o menino a avançar pela rua com a mão estendida. Não havia semáforo, mas também não havia faixa. Que belo exemplo de cidadania e cuidado... Ensinando ao filho como forçar um direito para além dos seus limites ao mesmo tempo em que arriscava a vida do menino, colocando-o à frente do próprio corpo, entre os carros em movimento. Troféu pra ela.

Saudade de ouvir os adultos da minha infância dizerem que "antes de saber nossos direitos, devemos conhecer nossos deveres". Alguém ainda diz coisas assim?


sábado, 5 de dezembro de 2009

De perdoar

Essa coisa de perdão me incomodou muito por um tempo enorme.
Porque eu sempre achei que era muito simples: a pessoa fazia bobagem, me magoava, me prejudicava e depois vinha com cara de cachorro me pedir perdão. Aí, eu, na obrigação de ser boa, evoluída, mente aberta e sei lá mais o que, precisava perdoar.

Era só a criatura dizer "me perdoa" que eu era obrigada a esquecer tudo o que ela tinha feito de ruim pra mim, do tipo "zerar a conta".

Mas peraí! Não sou tão católica assim pra estar absolvendo o confessor arrependido! Não perdoo coisa nenhuma e pronto! Andei numa fase raivosa daquelas, mas fase vem e passa, né?

Não faz muito, eu descobri que a coisa pode funcionar diferente.

Hoje eu não olho mais perdoar como uma absolvição.

Quando eu perdoo, significa dizer: "olha, o que você me fez já não tem mais capacidade de me ferir". Antigamente, com mágoa e ressentimento, eu continuava dando às pessoas que me magoaram o poder de me fazer continuar sofrendo. Ficava remoendo o acontecido, me retorcendo e sofrendo o peso da injúria. Ou seja: a ofensa tinha efeito prolongado, e o meu "agressor" me atingia por todo esse tempo com aquele único golpe.

Hoje não. Quando pára de doer, eu perdoo.

Eu fico bem comigo e com o que aconteceu, mas a pessoa ainda vai ter que prestar contas do que fez - e isso não é comigo, é com Deus, o Universo, sei lá.

E também nao sou bocó pra dar a chance de me magoarem outra vez. Fico de guarda erguida, ah se fico! Ou simplesmente me afasto. Deixo de procurar, deixo de conversar, elimino a pessoa sem nem mesmo dizer pra ela que estou fazendo isso. Não precisa nem dizer o "não sou mais tua amiga" das brigas no recreio da escola.

Eu ando tão mais sã depois que passei a agir assim!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Definições pragmáticas

De uma criança de cinco anos que, inocentemente, encheu meu dia de poesia e objetividade (sim, os dois podem andar juntos...):
"Sonho é pra gente ver no escuro, de noite, quando tá dormindo."
"Pedra é pra gente prestar atenção pra não tropeçar."
"Trabalho é pra gente ficar cansado."
"Salada é pra gente ganhar sobremesa."

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A louca dos bichos


Gentes, tá muito difícil viver em sociedade.

Estou até os gorgomilhos com a falta de noção indiscriminada por aí.

Portas de elevadores, estacionamentos de supermercados, ônibus, filas de banco, atendimento pelo telefone, aeroportos, consultório médico, compras pela internet e o Natal se aproximando... Não quero mais brincar!!! Tô fora!!!

Vou finalmente dar vazão a um desejo antigo. Quero me transformar na "louca dos bichos".

Funciona assim: vou arranjar um sitiozinho num lugar ermo, com gramados descuidados, jardins crescendo por conta e algumas árvores sem poda.

Precisa ter uma casinha pequena, com fogão a lenha, alpendre e cadeiras de balanço.

Pra lá me mudo eu e mais todos os animais que puder recolher: gatos, cachorros, cavalinhos, papagaios, o que aparecer.

Vou usar só vestidos vaporosos de muitos panos coloridos, chapéus de abas largas enfeitados com camélias, galochas pra pular em poças e colares, pulseiras, brincos, broches, todos fazendo um alegre tilintar.

A comunidade mais próxima, nas minhas raras visitas em busca de mantimentos, vai me chamar assim: "a louca dos bichos".

Soa maravilhoso.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Invasão

Sem muitas digressões filosóficas, hoje aconteceu uma daquelas coisas que me fazem questionar os benefícios da modernidade. Recebi um telefonema, proveniente de um número não identificável, logo pela manhã, no meu celular. Atendi.
-Alô?(eu)

-Alô, quem fala? É a Cibele?(voz de moça)

-Quem quer falar?(eu)

-É a Cibele?(moça)

-Quem quer falar com a Cibele?(eu)

-Tá, mas é ela ou não?(moça)

-Assim, ó: você se identifica, já que é você quem está gerando essa conversa, e diz o que quer, e depois eu me identifico, ok?(eu)

-É que eu preciso falar com a Cibele!(moça)

-Se você não se identificar eu vou desligar, certo?(eu)

-Meu nome é Denise. (Denise)

-Denise de onde?(eu)

-Denise da Empresa Tal.(Denise)

-E o que você quer falar?(eu)

-Anh... é que eu tenho um benefício financeiro destinado à Cibele, preciso falar com ela pra que ela receba. (Denise)

Ah, tá. Tô sabendo. Benefício financeiro, aham.

-Que benefício, Denise?(eu)

-É que uma aluna dela a indicou pra receber.(Denise)

-E pra que é isso?(eu)

-Pra ela adquirir conversação e fluência em Inglês.(Denise)

-Ah, então você é de uma escola de idiomas, e está fazendo um telemarketing ativo comigo, me oferecendo um pretenso desconto porque uma das minhas alunas entregou pra vocês uma lista de nomes e telefones quando se matriculou aí, certo?(eu)

-Ahn... Não, olha só, não é telemarketing...(Denise)

-Então eu vou ganhar o curso todinho de graça?(eu)

-Sim, vai.(Denise)

Ah, tá. Claro.

-Não vou precisar pagar nem o material?(eu)

-Na verdade é só o preço de custo do material, mas o desconto é de 100% na matrícula e de 50% nas mensalidades...(Denise)

-Não tenho interesse, Denise. Muito obrigada e bom dia.(eu, desligando)

Considerações:
  1. Que saudade do tempo em que as empresas nos procuravam pelo correio. Tão menos invasivo! Comprei celular pra ter um meio de me comunicar com minha família e amigos, não pra receber telemarketing. Celular é pessoal, não é uma porta aberta pra que nos empurrem coisas que não queremos e não pedimos.
  2. Como diabos uma aluna arranjou o número do meu celular? Quem forneceu meu telefone pessoal aos alunos? Eu me comprometi a manter contato com eles em nível profisional: nos horários em que estou no campus e, por boa vontade minha, via e-mail. Dar o meu celular é o auge do desprezo pela minha privacidade.
  3. Que mania desagradável as pessoas têm de pular a formalidade e agirem como se tivessem intimidade com a gente. Telefonar pro meu número e já ir perguntando se quem atendeu fui eu não é uma postura polida, pelo mínimo. O que houve com o "Bom, dia, meu nome é Fulana, falo pela empresa Tal e preciso conversar com a Sra. Cibele, é possível agora ou devo retornar em outro momento"? Já que vão invadir a nossa privacidade, o mínimo que as empresas poderiam fazer é treinar os funcionários para que o façam de maneira educada, tentando não ser inconvenientes...
  4. Eu não me identifico pra desconhecidos de jeito nenhum. Prefiro passar por grossa e arrogante a sair dando informações. Infelizmente não dá pra confiar nem nos conhecidos, quem dirá nos desconhecidos. Sim, a que ponto chegamos.
  5. Por que as empresas bloqueiam seus números para o identificador de chamadas da gente? Será que é pra que elas não recebam chamadas indesejadas de volta? Será que elas também não gostam de atender chamadas que não são de seu interesse?
  6. Vamos tentar não enganar os consumidores com propostas de falsa gratuidade? "Benefício financeiro" o escambau, "não ter que pagar nada" coisa nenhuma. Será que eles não sabem que mentir é feio? E que mentir pro consumidor dá processo? Fazfavor!
  7. Antigamente, a gente tinha um controle maior do próprio tempo. As pessoas entravam em contato nos oferecendo ou nos pedindo coisas com respeito pela nossa disponibilidade. Ao receber uma carta comercial, você a lê e retorna quando e se pode.
  8. Antes do celular e do e-mail, as exigências do trabalho se limitavam às horas que você vendia ao seu empregador. Hoje você é obrigado a conferir seu e-mail constantemente, para não perder nenhuma informação, e tem que dar retorno imediato. Pelo celular, você está disponível em qualquer lugar e horário: inclusive na noite de sábado, quando sai pra jantar com o namorado.

Eu não acho, tenho certeza: essa modernidade escravizadora e invasiva não vale a pena.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Em Juiz de Fora

Delícia de cidade!

Cheguei hoje, ao meio dia. Vim a bordo de uma batedeira voadora operada pela Trip, desde o Rio.
Chacoalhei até aqui no meio de uma barulheira, mas valeu totalmente!


A Batedeira Voadora: ATR46

A cidade é linda, as pessoas são uns amores, estou adorando. Recomendo fortemente.
Ah, relatórios estruturais: eu havia reservado o Omega Hotel, que parecia ótimo pelo site. Parecia, mas não era. O quarto era fedorento de esgoto (ai, ai, ai...), não tinha nada de conforto e o preço não era nada módico. Ah, e o detalhe charmoso: subir as próprias malas dois belos lances de escada, tendo pago 10% de taxa de serviço.

Tá bom? Tá não.

Piora: eu reservei com antecedência um quarto para uma pessoa (sim, eu sou apenas uma pessoa). Acontece que o hotel recebeu grupos de estudantes que queriam hospedagem em quartos quádruplos (e os tais quartos viram até quádruplos, com as camas extras). Resultado: preferiram dar meu quarto pra outras quatro pessoas (recebendo bem mais pela mesma acomodação, claro). Me ofereceram dividir outro quarto com outras duas moças que são moradoras do lugar, mensalistas.

Nãnani, né?

Vim pro Cesar Palace, que custa só 15% mais e é maravilindo.
O meu quarto é imenso, o banheiro é espetacular, superbem localizado e com a maior cama que eu já vi na vida. Sério, tem três travesseiros lado a lado na cabeceira e sobra espaço. Me dei bem! E fué pro Omega Hotel.

Minha cama gi-gan-tes-ca

A cidade é antiga, o que dá pra ver nas construções, mas não parou no tempo, o que dá uma mistura muito gostosa. Da janela do hotel eu vejo casinhas penduradas nos morros que, agora à noite, estão pontilhados de luz. Muito bonito.

Pedi o café da manhã completo, pelo room service, às 17h, hehehe. Me atirei numa bandeja de pãezinhos, geléias, frutas, iogurtes, bolos, biscoitos, sucos e café com leite. Ah, e queijo, claaaaro. Sem culpa... Tá, confesso, com culpa, mas bem de cantinho... ;p

Amanhã apresento meu trabalho na UFJF. Os joelhos tremem, e com certa razão. Nessa fogueira de vaidades que é a Academia (um dos meus alunos de Erechim uma vez perguntou se eu malhava nessa tal de Academia, fofo! Beijo pra ele!), não falta entusiasta em arrasar por sadismo o trabalho alheio. Vai que eu caio de paraquedas no território de um? Respira, respira, respira!

E chega de papo que o dia começa cedo!


Da janela do Hotel



O troglopai

Estava eu sentadinha na minha poltrona do voo PoA-Rio, hoje, 6h e 30min. (horário desumano), lendo uma revistinha de moda pra passar o tempo até encerrarem o embarque e o avião decolar. Eis que chega uma família: pai, mãe e filha, esta com uns 10 anos, por aí. A filha tinha a poltrona do lado da minha e os pais, algo perdido mais atrás.
A menina ficou totalmente nervosa por sentar do lado de uma estranha. Os pais, ainda em pé, no corredor, começaram a falar entre si, a meu respeito, como se eu não estivesse ali:
-Quem sabe a gente pede pra moça trocar?(mãe)
-Ah, não precisa, ela senta aí e pronto.(pai)
-Ah, então tá, depois, se ela não gostar de sentar com a moça, aí a gente troca.(mãe)
Ei!!! Alô!!!! Eu tô aqui, eu interajo, sabia? Falta de senso, falar de mim como se eu não estivesse presente ou, no mínimo, ouvindo.
A menina veio sentar, empurrada pelo pai, e pediu licença, quase sem voz. Eu respondi:
-Sim, claro, mas deixa eu sair pra você entrar. (ela estava em cima de mim, e não tem espaço nenhum pra manobras no avião, né?)
Ela senta, os pais sentam e começam a falar. A menina está quase chorando.
Aí, eu viro para o pai e pergunto se ele não quer trocar pra sentar com a filha. Pombas e pitombas, eu é que precisei tomar a iniciativa, como se o interesse fosse meu. Ele me responde:
-A senhora tá nervosa?(pai)
-Não, estou lhe oferecendo a troca, quer?(eu)
-Sim, quero.(pai)
-De nada.(eu)
Ah, pelamãedoguarda! Vai ser tosco assim pra lá! Além de não dar a mínima pro desconforto da menina e de falar de mim como se eu fosse um vaso de planta, ele nem se digna a agradecer, e ainda sugere alguma coisa sobre o meu temperamento????!!!! Deu vontade de responder que estava nervosa, sim, sempre fico nervosa perto de gente tosca.
Tem dó, meu senhor!
Ainda bem que meu pai foi outro.
Ah, só pra constar, e não qeu isso tenha importância, mas a família era carioca. E a mãe estava bem mais interessada no exame das pontas do cabelo alisado a formol do que na filha. Pronto, falei.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Xi... E eu sumi!?

Sim, eu sumi, mas foi por estar muito feliz...
Quando a vida da gente cresce tanto que toma todas as horas do dia, e chegar em casa se transforma em mais do que checar os e-mails, a secretária eletrônica e o pote da comida do gato... Bem, quando isso acontece, tudo o mais precisa parar.
Como diz minha amiga Carlinha, "aguapés se mexendo": tem uma onda de movimento, entusiasmo, felicidade e coisas boas acontecendo na minha lagoinha.
Desculpem por sumir, fico devendo dúzias de comentários e impressões sobre tudo.
Agora é o momento de viver; depois, quando estiver digerindo e analisando os acontecimentos, venho monologar.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Uga-Buga, troglodita tosco não é Cro-Magnon!

Muito prazer, meu nome é Cibele, e eu sou Mulher, Cidadã, Consciente. Trabalho e estudo muito pra me empoderar e virar a protagonista do meu destino, e também pra estender o que eu conseguir aprender e criar de bom a tantas e tantos quanto puder. Ou seja: FEMINISTA.
É, isso aí, assumidamente feminista.
Hoje, tive de ser a feminista estereotipada raivosa, pro meu desgosto.
Estava apresentando meu trabalho no Seminário de Sociologia e Política da UFPR (Curitiba é um dos meus lugares favoritos no mundo!), e ia muito bem, muito obrigada.
Quando chega a hora de responder às perguntas do debatedor e dos colegas de Grupo de Trabalho, um rapaz nada educado começa a questionar a validade científica dos estudos feministas. Ok, teu direito, maravilha, fala à vontade. Vou responder às colocações do rapaz e ele fica me interrompendo o tempo todo, sem deixar eu terminar de falar, sem deixar eu concluir o meu raciocínio. Pior: fica dizendo: "mas você não conhece a autora tal? Como assim? Feminista que não conhece a própria teoria?"
Conheço sim. Estudei cuidadosamente todas as autoras que você mencionou. Estudei outras tantas, também. Agora, faz favor de me deixar falar, que eu preciso terminar aqui! Larga mão de ser grosso, ô truculência, e respeita quem pensa diferente de você, aí dentro da sua caixinha pequena! Ou, ao menos, tenta ser um pouco educado!
Gente instruída que não é educada não dá pra aguentar, buuuuu pra ele!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A fragilidade, a força e leve plágio.



Há momentos em que me convenço que sou mais forte por ser mais frágil. Como a história do capim e do carvalho... O capim aguenta a tempesetade porque se deixa derrubar por ela: vai ao chão e lá fica. O carvalho não se dobra, não se abate, e é arrancado do chão, morrendo depois que a tempestade passa.

Historinha boba, mas muito me serve pra entender meu jeito. Eu sinto dor, tristeza, sofrimento, mágoa. Até a última gota. Depois, levanto e vou beber alegria.

"Uns tomam éter, outros cocaína. Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria. Tenho todos os motivos menos um de ser triste, mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria..."

É, Bandeira, eu também não sei dançar, mas danço mesmo assim: se a banda toca um blues de machucar a alma, eu choro; se vem um samba, me sacudo. Quando a música termina, vou ler um poema...

Não imagino viver sem sentir com força: alegria, tristeza, entusiasmo, raiva, ternura.

Também não vou fingir um distanciamento e uma frieza que não estão em mim. Sim, eu choro. E rio. E beijo. E mando pro inferno. E também traduzo a ternura mais funda, mais cotidiana, em verbos que não existem...

Tem ternura mais funda do que a cotidiana? Não, não tem. O amor que se vive e se declara por qualquer motivo, sem razão e sem precedente, sem permissão e inconvenientemente - esse é o amor mais forte, que mais marca, o indelével.

Te amo, porque ouvi um sabiá às seis da manhã. Te amo, porque teu sorriso tem algo traquinas que me dá vontade de te encher de cócegas na barriga. Te amo, porque ouvir a tua voz acalma meu espírito. Te amo, porque deu vontade de dizer te amo. Não são razões para te amar; são razões para dizer.

Não é um jogo de merecimentos: não choro porque tu não me fazes feliz, choro porque estou triste! Não sorrio porque tu me alegras, sorrio porque estou contente! Não declaro o meu amor porque fizeste algo extraordinário, mas porque o cotidiano não me impede de te amar, e dizê-lo.

Isso faz de mim frágil e vulnerável? Faz.

Expectativas acontecem naturalmente e eu as tenho, mesmo que não as queira. Fico frustrada. Problema meu. Posso me abalar com o abandono, mas sou mais forte sendo fiel a mim mesma, na essência, do que fingindo não me abalar. Eu espero carinho, cuidado, proximidade. Não que me tenha sido prometido - não foi, nem será. Mas espero, desejo, quero. Se não vem, dói, claro...

Aprendi, porém, que é mais fácil matar um amor que vivi (eu, singular) em tudo o que podia, nos altos e nos baixos, do que aquele que poderia ter sido mas nunca chegou a ser.

A tempestade me derruba, mas não me mata. "Teadoro", mas "Merrecupero".

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Old Irish Blessing


May the road rise up to meet you.
May the wind be always at your back.
The sunshine warm upon your face,
and rain fall soft upon your fields.
And until we meet again,
may God hold you in the hollow of His hand.

Hoje precisei ouvir um incentivo carinhoso, e lembrei dessa oração.
Sem explicação, assim mesmo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Cansada e contente

"Está bem pago quem está satisfeito."
E tenho dito, oras!